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terça-feira, 5 de junho de 2012

Vou como um passo como de ir parar...


Vou como um passo como de ir parar

Pela rua vazia

Nem sinto como um mal ou mal-'star

A vaga chuva fria...

Vou pela noite da indistinta rua

Alheio a andar e a ser

E a chuva leve em minha face nua

Orvalha de esquecer ...

Sim, tudo esqueço.Pela noite sou

Noite também

E vagaroso eu ... vou,

Fantasma de magia. No vácuo que se forma de eu ser eu

E da noite ser triste

Meu ser existe sem que seja meu

E anônimo persiste ... Qual é o instinto que fica esquecido

Entre o passeio e a rua?

Vou sob a chuva, amargo e diluído

E tenho a face nua...
.
.
.
Fernando Pessoa...

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