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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Poema da grande alegria...


Olhavas-me tanto

E estavas tão perto de mim

Que, no meu êxtase,

Nem sabia qual fosse

Cada um de nós...

Era num lugar tão longe

Que nem parecia neste mundo...

Num lugar sem horizontes,

Onde, sobre águas imóveis,

Havia lótus encantados...

Vinham de mais longe...

De ainda mais longe,

Músicas sereníssimas,

Imateriais como silêncios...

Músicas para se ouvirem com a alma, apenas...

E tudo, em torno,

Eram purificações...

Não sei para onde me levavas:

Mas aqueles caminhos pareciam

Os caminhos eternos

Que vão até o último sol...

E eu me sentia tão leve

Como o pensamento de quem dorme...

Eu me sentia com aquela outra Vida

Que vem depois da vida...

Eleito, ó Eleito,

Eu queria ficar sonhando

Para sempre,

Tão perto de Ti

Que, no meu êxtase,

Nem se pudesse saber

Qual fosse cada um de nós...
.
.
.
Cecília Meireles...

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