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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O chamado...


Na rua escura o velho poeta

(lume de minha mocidade)

já não criava, simples criatura

exposta aos ventos da cidade.


Ao vê-lo curvo e desgarrado

na caótica noite urbana,

o que senti, não alegria,

era, talvez, carência humana.


E pergunto ao poeta, pergunto-lhe

(numa esperança que não digo)

para onde vai - a que angra serena,

a que Pasárgada, a que abrigo?


A palavra oscila no espaço

um momento. Eis que, sibilino,

entre as aparências sem rumo,

responde o poeta: Ao meu destino.


E foi-se para onde a intuição,

o amor, o risco desejado

o chamavam, sem que ninguém

pressentisse, em torno, o Chamado...
.
.
.
Carlos Drummond de Andrade...

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