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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Aspiração...


Doçura da pobreza assim...

Perder tudo que é seu, até o egoísmo de ser seu,

Tão pobre que possa apenas concorrer pra multidão...

Dei tudo que era meu, me gastei no meu ser,

Fiquei apenas com o que tem de toda a gente em mim...

Doçura da pobreza assim...

Nem me sinto mais só,

dissolvido nos homens iguais!

Eu caminhei. Ao longo do caminho,

Ficava no chão orvalhado da aurora,

A marca empreoda dos meus passos.

Depois o Sol subiu, o calor vibrou no ar

Em partículas de luz doirando e sopro quente.

O chão queimou-se e endureceu.

Sinal dos meus pés é invisível agora...

Mas sobra a Terra, a Terra carinhosamente muda,

E crescendo, penando, finando na Terra,

Os homens sempre iguais...

E me sinto maior, igualando-me aos homens iguais!...
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Mário de Andrade...

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