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terça-feira, 24 de julho de 2012

Dona Doida...



Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso

com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.


Quando se pôde abrir as janelas,

as poças tremiam com os últimos pingos.


Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,

decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.


Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,

trinta anos depois.

Não encontrei minha mãe.


A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,

com sombrinha infantil e coxas à mostra.


Meus filhos me repudiaram envergonhados,

meu marido ficou triste até a morte,

eu fiquei doida no encalço.

Só melhoro quando chove...
.
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Adélia Prado...

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