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domingo, 18 de março de 2012

A Morte absoluta...



Morrer.


Morrer de corpo e de alma.


Completamente.




Morrer sem deixar o triste despojo da carne,


A exangue máscara de cera,


Cercada de flores,


Que apodrecerão - felizes! - num dia,


Banhada de lágrimas


Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.




Morrer sem deixar porventura uma alma errante...


A caminho do céu?


Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?




Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,


A lembrança de uma sombra


Em nenhum coração, em nenhum pensamento,


Em nenhuma epiderme.




Morrer tão completamente


Que um dia ao lerem o teu nome num papel


Perguntem: "Quem foi?..."


Morrer mais completamente ainda,


- Sem deixar sequer esse nome...
.
.
.
Manuel Bandeira...

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