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domingo, 18 de março de 2012

A minha Dor...


A minha Dor é um convento ideal


Cheio de claustros, sombras, arcarias,

Aonde a pedra em convulsões sombrias

Tem linhas dum requinte escultural.


Os sinos têm dobres de agonias

Ao gemer, comovidos, o seu mal...

E todos têm sons de funeral

Ao bater horas, no correr dos dias...


A minha Dor é um convento. Há lírios

Dum roxo macerado de martírios,

Tão belos como nunca os viu alguém!


Nesse triste convento aonde eu moro,

Noites e dias rezo e grito e choro,

E ninguém ouve...ninguém vê...ninguém...
.
.
.
Florbela Espanca...

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