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sábado, 17 de março de 2012

O poeta na madrugada...



Quando o poeta chegou à cidade

A aurora vinha clareando o céu distante

E as primeiras mulheres passavam levando cântaros cheios.

Os olhos do poeta tinham as claridades da aurora

E ele cantou a beleza da nova madrugada.

As mulheres beijaram a fronte do poeta

E rogaram o seu amor.

O poeta sorriu.

Mostrou-lhes no céu claro o pássaro que voava

E disse que a visão da beleza era da poesia

O poeta tem a alegria que vive na luz

E tem a mocidade que nasce da luz.

As mulheres seguiram o poeta

Oferecendo a tristeza do seu amor e a alegria da sua carne

O poeta amou a carne das mulheres

Mas não envelheceu no amor que elas lhe davam.

O poeta quando ama

É como a flor que murcha sem seiva

Porque o amor do poeta

É a seiva do mundo

E se o poeta amasse

Ele não viveria eternamente jovem, brilhando na luz.


Quando a nova madrugada raiou no céu distante

O poeta já tinha partido

E seguindo o poeta as mulheres de peitos fartos e de cântaros cheios

Falavam de ardentes promessas de amor...
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Vinícius de Moraes...

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