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sexta-feira, 9 de março de 2012
O chorão, a lua e o lago...
Vocês conhecem o chorão?
Aquela árvore assim alta, magra, meio despencada,
com uns galhos compridos até o chão?
Pois diz a Juçara que o chorão não era assim.
Era uma árvore toda esticadinha, muito orgulhosa e antipática.
Ela morava na beira de um lago bem clarinho.
Pois imagina que o Chorão — que naquele tempo não se
chamava chorão, mas salgueiro — inventou de se apaixonar pela Lua.
Só que o Lago também se apaixonou, ao mesmo tempo.
Ficavam os dois, o Chorão e o Lago, todos suspirosos
quando a Lua aparecia atrás da montanha, ao anoitecer.
Tantas caras e bocas fizeram que um vaga-lume muito
fofoqueiro ouviu a história da tal paixão e foi contar pra Lua.
A Lua, claro, ficou muito envaidecida.
Quem que não gosta que os outros se apaixonem pela gente?
Pois a Lua mandou dizer aos dois apaixonados que, na próxima
sexta-feira, quando estivesse bem cheia e aparecesse atrás da montanha,
o pretendente que estivesse mais bonito, na hora ela ficava noiva.
O Chorão ficou na maior empolgação.
Fez amizade com o vaga-lume, interesseiro que era.
E pediu a ele que chamasse todos os amigos vaga-lumes
para enfeitá-lo todo, na sexta-feira de tardezinha.
O pobre do Lago era muito desajeitado e humildezinho.
Até tentou se enfeitar um pouco, mas os enfeites todos
escorregavam na superfície dele e acabavam afundando.
Quando chegou a sexta-feira, o Chorão estava lindaço,
cheio de vaga-lumezinhos vaga-lumeando brilhosos nos galhos.
Parecia uma árvore de Natal.
E tão atrevido!
Debochava horrores do pobre Lago, que só tinha uns
peixinhos muito assustados espiando de vez em quando.
A Juçara diz que aquele salgueiro estava um nojo,
de tão exibido e certo de que ia ficar noivo da Lua.
Mas acontece que, na hora em que a Lua apareceu atrás
da montanha, ela viu todo aquele brilho do salgueiro refletido — onde?
Ora, nas águas do pobrezinho do Lago, umas águas muito limpinhas e quietas.
Claaaaaaaaro que ela achou o Lago muitíssimo mais bonito.
Aí ficou noiva dele na hora, e nas sete noites de lua cheia
vem se banhar nua nas suas águas quentinhas.
O salgueiro?
Ah, ficou tão desapontado que começou a despencar, despencar,
despencar até virar essa árvore tristonha que a gente agora chama de chorão.
Não é bonita a historinha da Juçara?
Você pode achar um pouquinho triste, também, mas eu acho
ótimo que o chorão tenha sido castigado pelo seu orgulho.
Daí, penso também outra coisa de gente grande: não adianta
muito você se enfeitar todo pra uma pessoa gostar mais de você.
Porque, se ela gostar, vai gostar de qualquer jeito,
do jeito que você é mesmo, sem brilhos falsos...
.
.
.
Caio Fernando Abreu...
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Olá Suelita ...
ResponderExcluirA Suelita está inspirada , está magnifico !!!
Bjs
Ernesto
Obrigada querido...rsrsrsr...tem coisas que leio por ai que me deixam inspiradissima....rsrsrsr...Beijos...
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