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segunda-feira, 19 de março de 2012
Não confie...
Não confie na frase de sua avó, de sua mãe, de sua irmã
de que um dia encontrará um homem que você merece.
Não existe justiça no amor.
O melhor para você é o pior.
Aquele que você escolhe infelizmente não
tem química, não dura nem uma hora.
O pior para você é o melhor.
Aquele de quem você procura distância é que
se aproxima e não larga sua boca.
Não se apaixonará pela pessoa ideal, mas por
aquela que não conseguirá se separar.
A convivência é apenas o fracasso da despedida.
O beijo é apenas a incompetência do aceno.
Amar talvez seja surdez, um dos dois não foi embora,
só isso; ele não ouviu o fora e ficou parado, besta, ouvindo seus olhos.
Amor é contravenção.
Buscará um terrorista somente para você.
Pedirá exclusividade, vida secreta, pacto de sangue, esconderijo no quarto.
Apagará o mundo dele, terá inveja de suas velhas amizades, de suas
novas amizades, cerceará o sujeito com perguntas, ameaçará o sujeito
com gentilezas, reclamará por mais espaço quando ele já loteou o invisível.
Ninguém que ama percebe que exige demais; afirmará
que ainda é pouco, afirmará que a cobrança é necessária.
Deseja-se desculpa a qualquer momento, perdão a qualquer ruído.
Amor não tem saída: reclama-se da rotina ou quando ele está diferente.
É censura (Por que você falou aquilo?), é ditadura (Você não devia ter feito aquilo!).
É discutir a noite inteira para corrigir uma palavra
áspera, discutir metade da manhã até estacionar o silêncio.
Amor é uma injustiça, minha filha. Uma monstruosidade.
Você mentirá várias vezes que nunca amará ele de novo e
sempre amará, absolutamente porque não tem nenhum controle sobre o amor.
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Fabrício Carpinejar...
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